terça-feira, 28 de outubro de 2025
antes de tempo
Não conheci
o tio anarquista, aquele que foi
deportado para Cabo Verde.
Não te vi a fazer teatro,
não te ouvi a tocar clarinete,
nem banjo, nem sax
na tua trupe de jazz;
não te vi a dançar.
Não estive lá
quando assinaste as listas
do MUD;
não estava quando
te incomodaram,
os esbirros e burocratas
do “botas”.
Mas sei que ainda
tiveste tempo
para me pegar ao colo.
E sei que te exilaste
para nos proteger.
Nunca faltaste à família.
A nossa, mas também
às dos teus irmãos.
Viveste amarguras muitas
mas a todos levaste a tua bondade.
O mundo ainda não estava preparado.
Para as almas generosas, meu pai, ainda não.
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