terça-feira, 28 de outubro de 2025

antes de tempo

Não conheci o tio anarquista, aquele que foi deportado para Cabo Verde. Não te vi a fazer teatro, não te ouvi a tocar clarinete, nem banjo, nem sax na tua trupe de jazz; não te vi a dançar. Não estive lá quando assinaste as listas do MUD; não estava quando te incomodaram, os esbirros e burocratas do “botas”. Mas sei que ainda tiveste tempo para me pegar ao colo. E sei que te exilaste para nos proteger. Nunca faltaste à família. A nossa, mas também às dos teus irmãos. Viveste amarguras muitas mas a todos levaste a tua bondade. O mundo ainda não estava preparado. Para as almas generosas, meu pai, ainda não.